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Como escalar a rede da operadora sem trocar toda a infraestrutura

Blog Network Stingray

Operadoras de telecomunicações e provedores de serviços enfrentam um crescimento constante no volume de tráfego, além de exigências cada vez maiores relacionadas ao processamento, análise e controle desse tráfego.

A plataforma Stingray, da VAS Experts, foi desenvolvida para atender esse desafio, oferecendo controle completo do tráfego nas camadas L2 a L7 e permitindo expansão gradual de capacidade conforme a demanda aumenta.

Neste artigo, mostramos como funciona a escalabilidade da plataforma Stingray, quais componentes participam da arquitetura em cluster e como uma operadora pode evoluir de uma única instância para configurações com capacidade de múltiplos terabits por segundo.

O limite de um único nó de processamento

Imagine uma operadora regional com milhares de assinantes.

Ela precisa suportar:

  • IPTV;
  • Jogos online;
  • Chamadas de vídeo;
  • Aplicações corporativas;
  • Compartilhamento de arquivos;
  • Requisitos regulatórios de filtragem de conteúdo.

Inicialmente, um único nó Stingray pode atuar como ponto central de processamento do tráfego dos assinantes.

Gerenciamento de trafego


Stingray

Baseada em tecnologia DPI (Deep Packet Inspection), a plataforma oferece funções como:

  • BNG/BRAS (Broadband Network Gateway);
  • CG-NAT (Carrier Grade NAT);
  • Controle de banda e QoS;
  • Filtragem de tráfego;
  • Monitoramento, estatísticas e analytics;
  • Monitoramento da experiência do usuário (QoE).

Com o crescimento da operação, surgem novos desafios:

  • Expansão da base de assinantes;
  • Aumento do consumo de vídeo;
  • Crescimento do tráfego OTT e móvel;
  • Entrada de clientes corporativos;
  • Novos planos e serviços.

Nesse cenário, um único servidor pode deixar de ser suficiente para processar todo o tráfego.

Escalabilidade vertical: o primeiro passo

A primeira estratégia normalmente adotada é a escalabilidade vertical.

Nesse modelo, o software Stingray é migrado para servidores mais robustos, com maior capacidade de:

  • CPU;
  • Memória;
  • Interfaces de rede.

Essa abordagem funciona bem enquanto um único equipamento consegue atender à demanda.

Entretanto, existe um limite físico relacionado a:

  • Processadores;
  • Memória;
  • Slots PCIe;
  • Placas de rede;
  • Resfriamento;
  • Custos da infraestrutura.

Chega um momento em que substituir servidores por versões mais potentes deixa de ser economicamente eficiente.

Além disso, toda a operação continua concentrada em um único ponto crítico da rede.

Escalabilidade horizontal: quando o cluster se torna necessário

Quando um único servidor não oferece mais margem de crescimento, entra em cena a escalabilidade horizontal.

Nesse modelo, o tráfego é distribuído entre vários servidores de processamento.

A vantagem é que a capacidade cresce de forma linear, sem necessidade de reconstruir a arquitetura da rede.

Como funciona a arquitetura com NPB

A plataforma Stingray utiliza uma combinação de:

  • NPB (Network Packet Broker);
  • Servidores de processamento;
  • Switches Bypass;
  • Plataforma centralizada de gerenciamento.

NPB (Network Packet Broker)

O NPB é responsável por distribuir os fluxos de tráfego entre os servidores de processamento.

Ele garante que todo o tráfego relacionado a uma mesma sessão seja enviado ao mesmo nó Stingray, preservando a consistência da análise.

Servidores de processamento

São servidores x86_64 convencionais equipados com interfaces de alto desempenho (Intel ou Mellanox) executando o software Stingray.

Neles ocorre:

  • Inspeção profunda de pacotes (DPI);
  • Aplicação de políticas QoS;
  • Filtragem de conteúdo;
  • Tradução CG-NAT;
  • Funções BNG/BRAS.

Switches Bypass

Os dispositivos Bypass garantem continuidade operacional.

Caso ocorra falha em um servidor ou balanceador, o tráfego é redirecionado automaticamente, mantendo a conectividade da rede.

Gerenciamento centralizado

Toda a configuração é realizada através do sistema NMS, permitindo administrar:

  • Políticas;
  • Perfis;
  • Protocolos;
  • Regras de filtragem;
  • Monitoramento;
  • Listas customizadas.

Fluxo de processamento

O processo ocorre da seguinte forma:

  1. O tráfego chega ao dispositivo Optical Bypass.
  2. O tráfego é encaminhado ao NPB.
  3. O NPB distribui os fluxos entre os nós Stingray.
  4. O tráfego é processado.
  5. As políticas são aplicadas.
  6. O tráfego retorna à rede.

Para aplicações DPI, o balanceamento pode ocorrer por sessão.

Já para BNG e CG-NAT, utiliza-se um modelo baseado no assinante, garantindo que todo o tráfego de um mesmo usuário seja processado pelo mesmo servidor.

Como a capacidade é ampliada

A expansão da capacidade da plataforma Stingray ocorre de forma gradual, acompanhando o crescimento da operação da operadora ou do provedor de internet.

Inicialmente, novos servidores de processamento podem ser adicionados ao cluster para absorver o aumento do tráfego. Quando a camada de balanceamento atinge sua capacidade máxima, basta incorporar novos NPBs (Network Packet Brokers), permitindo que a infraestrutura continue crescendo sem a necessidade de reconstruir a rede.

 

 

Cada NPB equipado com 64 portas de 100 GbE suporta até 1,2 Tbps de tráfego agregado, sendo aproximadamente 1 Tbps de download e 200 Gbps de upload.

A arquitetura permite a utilização de até oito NPBs em um único cluster, alcançando uma capacidade total de 9,6 Tbps de processamento de tráfego.

Já a capacidade dos servidores Stingray varia conforme a configuração do hardware e as funções habilitadas. Em cenários típicos, cada nó pode processar entre 120 Gbps e 360 Gbps de tráfego agregado.

Entretanto, o dimensionamento da quantidade de servidores depende de diversos fatores, como:

  • Perfil do tráfego da rede;
  • Quantidade de pacotes por segundo (PPS);
  • Número de sessões simultâneas;
  • Volume de traduções CG-NAT;
  • Funções ativadas (BNG/BRAS, DPI, QoS, filtragem etc.);
  • Nível de redundância definido pela operadora.

Capacidade por NPB

Configuração Tráfego Total Download Upload
1 NPB 1,2 Tbps 1 Tbps 200 Gbps
2 NPBs 2,4 Tbps 2 Tbps 400 Gbps
3 NPBs 3,6 Tbps 3 Tbps 600 Gbps
4 NPBs 4,8 Tbps 4 Tbps 800 Gbps
8 NPBs 9,6 Tbps 8 Tbps 1,6 Tbps

Redundância para garantir alta disponibilidade

Ao projetar uma infraestrutura de telecomunicações, não é recomendável dimensionar o cluster apenas para atender à carga atual.

Se a capacidade instalada estiver exatamente no limite da demanda, qualquer pico de tráfego — comum em horários de maior utilização — ou a indisponibilidade de um servidor poderá provocar sobrecarga nos demais equipamentos.

Por isso, projetos profissionais utilizam o conceito de redundância N+X, no qual parte dos servidores permanece em reserva para assumir automaticamente o processamento em caso de falha.

Se um dos nós ficar indisponível, o NPB redistribui os fluxos de tráfego entre os servidores restantes, mantendo a operação da rede sem interrupções e preservando a continuidade dos serviços.

Crescimento sob demanda

Um dos principais diferenciais da arquitetura Stingray é permitir que o investimento acompanhe a evolução da operação.

A implantação pode começar com um único NPB e poucos servidores de processamento, expandindo gradualmente conforme aumentam a base de assinantes, o volume de tráfego ou a adoção de novos serviços.

Essa abordagem reduz o investimento inicial, facilita o planejamento da expansão e elimina a necessidade de substituir toda a infraestrutura quando a rede cresce.

Para garantir previsibilidade de desempenho e simplificar o balanceamento de carga, a recomendação é que os novos servidores adicionados ao cluster possuam configurações de hardware equivalentes às dos nós já existentes.

Redundância e alta disponibilidade

Escalabilidade não pode comprometer a confiabilidade da rede. Por isso, a arquitetura Stingray incorpora diversos mecanismos de redundância.

Optical Bypass

Em caso de falha crítica, o tráfego continua fluindo pela rede sem interrupção.

Os serviços de DPI podem ser temporariamente suspensos, mas a conectividade permanece disponível.

Heartbeat

O NPB monitora continuamente a saúde dos servidores.

Se um nó deixar de responder, ele é removido automaticamente do balanceamento.

Redundância N+X

A arquitetura prevê recursos computacionais adicionais para suportar falhas sem degradação do serviço.

A recomendação é operar cada nó com aproximadamente 80% de sua capacidade máxima, preservando margem para absorver picos de tráfego ou falhas inesperadas.

Conclusão

A escalabilidade da plataforma Stingray segue uma lógica linear e previsível.

Uma operadora pode iniciar com um único nó e expandir gradualmente até arquiteturas com múltiplos NPBs e capacidade total de até 9,6 Tbps.

O principal benefício dessa abordagem é permitir crescimento contínuo sem a necessidade de reconstruir a arquitetura lógica da rede.

À medida que o volume de tráfego aumenta, basta adicionar novos componentes ao cluster, mantendo o gerenciamento centralizado e a transparência operacional da infraestrutura.

Para provedores que precisam acompanhar o crescimento do negócio sem interrupções, a arquitetura Stingray oferece um caminho de expansão comprovado, escalável e preparado para o futuro.

 

 

 

 

 

 

 

 

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